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  • Por Roque Tomazeli

Vereadora Manu Caliari, força na palavra e atuação independente

Manoela Gonçalves da Costa Caliari (escolheu o nome parlamentar de Manu Caliari), 33 anos, advogada, empresária e vereadora em segundo mandato pelo PRB não segue a clássica cartilha dos políticos da cidade, geralmente devotos de seus partidos. Em disputa eleitoral, ela trilha o caminho do voto com independência e assim age na condução do mandato, expondo o que pensa. A vereadora diz que tem compromisso com o interesse coletivo, sem pretender para si ou para o PRB posições na Prefeitura, e que recusou um convite para ser a secretária de Turismo. Sobre os seis meses do governo Fedoca Bertolucci (PDT), a vereadora faz considerações e resume: “O governo ainda não mostrou a que veio. Talvez precise de mais tempo para acertar.” Confira a entrevista.

Crédito foto: Roque Tomazeli

Vereadora Manu Caliari (PRB), mandatos marcados pela independência política

P – O PRB não é visto como um partido tradicional em Gramado, mas a senhora foi eleita vereadora pela segunda vez consecutiva. De onde vem essa expressão eleitoral?

R – O PRB local é um partido pequeno. Acredito que a minha expressão eleitoral venha de apoios do Bairro Avenida, onde moro, das igrejas (a dela é a Igreja Universal do Reino de Deus) e da comunidade empresarial, que é um dos meios em que convivo. Conto também com a importante participação da juventude. Tudo isso graças ao meu trabalho profissional e à atividade política transparente e livre que desenvolvo. Acho que a soma disso me conduziu ao primeiro mandato e à reeleição para o segundo.

P – A senhora fez parte da coligação que apoiou o candidato derrotado a prefeito Pedro Bertolucci (PP) e que elegeu a maioria dos vereadores (cinco do PP e um do PRB). Agora, na Câmara, atua com independência. Isso representa um novo posicionamento político?

R – A independência vem dos meus valores políticos. Para mim, o interesse da comunidade deve estar acima da questão partidária. Nunca me senti ligado a grupos de situação ou de oposição. Não estou aqui defendendo ou criticando. O PRB não assumiu compromisso, o nosso interesse é coletivo. Prova é que nunca busquei espaço para o partido e nem pessoal na Prefeitura. Agora, no atual governo municipal, fui convidada para assumir a Secretária de Turismo, mas preferi ficar na Câmara, desenvolvendo o meu trabalho autônomo.

P – A justificativa do então prefeito Nestor Tissot para intervir no Hospital São Miguel (fevereiro de 2016) foi no sentido de melhorar os serviços prestados aos usuários. Um ano e meio depois, que avaliação a senhora faz dos resultados da intervenção no hospital?

R – Hoje, a definição do que vai ser feito com o Hospital São Miguel é o mais importante. Precisamos fazer um levantamento baseado em números confiáveis. Contratar alguém competente, que mostre o que a Prefeitura deve fazer. Ver o que é melhor para Gramado. Tornar o hospital público pode significar inchaço, burocracia. Talvez tenha outra solução. O hospital recebe 470 mil por mês de recursos públicos do Município e isso mostra que não existe gestão. Ao menos quanto aos serviços prestados parece que houve alguma melhora, já que as reclamações diminuíram.

P – Valores de taxas e impostos, contidos no Código Tributário de Gramado, são tidos como inibidores para a abertura de novos negócios, especialmente os pequenos. Como defensora do empreendedorismo, a senhora concorda que é preciso diminuir? O que mais pode ser facilitado para o empreendedor?

R – Os entraves para empreender em Gramado são muitos. Começa pelo Plano Diretor, que precisa ser alterado a fim de permitir que atividades que não gerem impacto ambiental e resíduos sejam desenvolvidas em zonas residenciais. Um arquiteto trabalhando com endereço comercial na própria casa, por exemplo. Por que não? Também defendo as incubadoras industriais, espaços coletivos onde o pequeno empreendedor divide custos e equipamentos. Claro, tem ainda a questão tributária, tanto a nível federal como municipal. A Prefeitura pode incentivar, revendo alguns pontos que são de sua competência. Isso vale para o pequeno e o grande empreendedor. Tem a questão do setor moveleiro, um orgulho para Gramado e que atualmente atravessa séria crise. Precisamos desburocratizar para quem quer empreender.

P – Atividades educacionais e culturais em horários alternativos estavam entre as propostas de sua campanha. Já existe alguma ação em curso com órgãos do Executivo para mostrar?

R – Faço a defesas do uso dos espaços públicos em horários alternativos porque somos uma cidade diferenciada. Uma praça de esportes deve estar à disposição das pessoas nos finais de semana e feriados, um centro cultural precisa receber as famílias no seu momento de lazer. Uma creche precisa funcionar em horários especiais, enquanto os pais trabalham. Coisas assim. Eles (do governo municipal) assumiram há pouco tempo e compreendo isso, mas espero ações nesse sentido. De maneira privada, eu já pratico algumas dessas propostas.

P – Que avaliação a senhora faz dos primeiros seis meses do governo Fedoca Bertolucci (PDT)?

R – O governo está aprendendo e vejo boa vontade em muitas pessoas que fazem parte dele, mas até agora não foi apresentado um grande projeto, algo significativo. Qual é o plano de governo, afinal? A Secretaria de Governança e Desenvolvimento Integrado, por exemplo, anunciou projetos sem apontar recursos efetivos. Outro caso é na área da Saúde, onde a questão do hospital não avança. Por enquanto, infelizmente, não vejo diferenças. O governo ainda não mostrou a que veio. Talvez precise de mais tempo para acertar.

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