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  • Roque Tomazeli*

Atitude já

Flautistas, índios, retratistas, comércio ambulante vendendo toca de Papai Noel e até soprador de bolha de sabão e CD pirata, pedintes, bilheteiros de loterias e negócios da gastronomia, hotelaria e turismo no passeio público, transformaram o Centro de Gramado num camelódromo.

Crédito foto: Divulgação | RG

Uma permissividade de costumes da Prefeitura que violenta tanto a organização social da cidade e seus espaços criados assim como legislações, neste caso regramentos justamente aprovados a fim de disciplinar as condutas da iniciativa público-privada.

Quer dizer, é a negação dos ambientes convencionados e disponíveis para o comércio coletivo, exposições e shows, a exemplo da Casa do Colono, Vila do Artesanato Elisabeth Rosenfeldt, Espaço da Arte Indígena, Coreto da Praça Major Nicoletti, centros culturais e locais de eventos públicos.

E, igualmente, um desprezo às previsões legais do Plano Diretor, Código de Posturas e Código Tributário. Isso mencionando apenas algumas das legislações que normatizam a ocupação territorial de Gramado em relação ao patrimônio construído, patrimônio natural e área de uso comum da população.

“O progresso, longe de consistir em mudança, baseia-se na conservação. Quando a mudança é absoluta, nada resta a aperfeiçoar e nada aponta a direção de um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é conservada, como entre os selvagens, a infância é perpétua. Quem não é capaz de lembrar o passado está condenado a repeti-lo.” George Santayana (1863 – 1952), poeta e filósofo espanhol, em citação de Steven Englund em seu livro “Napoleão, uma biografia política”.

A negação do passado, no objetivo simplista de buscar afirmação, é algo que não pode ser aceito em prejuízo dos avanços conquistados por Gramado em seus 63 anos de emancipação política.

*Jornalista diplomado e editor do Repórter Gramado.

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