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  • Por Roque Tomazeli

Venda do hospital: “Representa uma virada de chave para o futuro”, diz secretário da Saúde

Nesta entrevista, quarta-feira, 6, o secretário da Saúde de Gramado, Jeferson Moschen, esclarece mais pontos sobre a negociação entre a Associação Franciscana de Assistência à Saúde (SEFAS) e o Grupo Prolife, resultando na venda do Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), este sob a intervenção do Município desde fevereiro de 2016. Segundo Moschen, Gramado está virando a chave para melhor em relação à prestação de serviços na área da saúde. O secretário também cita um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), fala sobre a preservação da história do hospital na memória coletiva e pede o apoio da Câmara Municipal. Confira os detalhes:

Secretário da Saúde, Jeferson Moschen


De que modo foi recebido o resultado da negociação entre a SEFAS e o Grupo Prolife, em relação ao HASM, anunciado no dia 31 de março?

Estávamos bastante ansiosos em razão de ser impactante para a cidade e por representar uma virada de chave para o futuro e para as complexidades. Mas, ao mesmo tempo, com preocupação e com alegria, no sentido de ampliar alguns serviços, ter um futuro para Gramado, para a população. Somos uma cidade de vanguarda em muitas coisas, a exemplo do turismo, um lugar dos mais visitadas no Brasil e com referência mundial. Por isso, Gramado não pode ficar aquém em termos de hospital. O que está chegando é um grupo com know-how, não são aventureiros, tem experiência.


O valor do negócio, anunciado pelo adquirente, foi de R$ 40 milhões. Quanto do total vai reverter para o Município?

Na intervenção, o Munícipio pagou empréstimos que as irmãs (religiosas, da SEFAS) entendiam como sendo de capital de giro. Na verdade, foi para adquirir o hospital. Então, o Município bancou um denominado Caixa Hospitais, na forma de prestações de R$ 128 mil mensais, mais um empréstimo estadual e toda uma situação no período da intervenção. Isso, atualizado os valores, resultou num total perto de R$ 10 milhões. Dessa forma, por um TAC entre o comprador, o vendedor, o Ministério Público e o Município, isso será devolvido aos cofres do Município.


O grupo adquirente prometeu manter os atuais serviços prestados pelo HASM e aumentar as especialidades de atendimento. A Secretaria da Saúde exercerá um controle externo sobre isso, a fim de tranquilizar a população?

Claro. Primeiro, será colocado no gravame do imóvel. Segundo, o nosso contrato com o prestador é para atender o que já tem. Nós vamos produzir e faturar as Autorizações de Internação Hospitalar que têm no Ministério da Saúde, a relação da região com a ortopedia, com a UTI, com os serviços que estão construídos e serão construídos. E, o nosso contrato, apenas vai trocar o CNPJ no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Temos, ainda, uma equipe de auditoria, e vamos aumentar a fiscalização. O nosso diretor administrativo do HASM, Carlos Libardi, igualmente vai presenciar a transição. Além disso, a Câmara Municipal e o Ministério Público podem acompanhar.


O início das obras do novo hospital depende da aprovação das alterações do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), em discussão na Câmara Municipal. Como transpor esse obstáculo em tempo mínimo?

Nós estamos trabalhando com uma comissão formada por integrantes do adquirente e um grupo de técnicos da Prefeitura, para haver fluxos. O que pode ser decisivo é um andar a mais, para aumentar o número de leitos. Isso depende, exclusivamente, das alterações na legislação. Já conversei com alguns vereadores, temos que dar uma celeridade, naturalmente respeitando os trâmites legais. O Município não quer fazer nada errado, mas isso não quer dizer que não dará uma preferencia a fim de agilizar o processo, por se tratar de uma coisa muito importante. Então é fundamenta que a Câmara Municipal dinamize isso, colocando em votação para que os vereadores concordem ou não, já que foram vencidas várias etapas como audiências públicas, conversas, ajustes e atendimentos aos pedidos do Ministério Público.


O novo hospital manterá o nome “Arcanjo São Miguel” e conservará o acervo documental, entendido também como o iconográfico, por exemplo, sobre a história do HASM?

Sim. Garantia do nome e defesa da criação de uma espécie de sala dos acervos para manter a história dos 70 anos do HASM. Mesmo que o hospital seja transferido para outro lugar (no caso, Avenida Perimetral, Bairro Casagrande), ele leva o nome, leva a história, respeitando também a trajetória da pioneira Sociedade Hospitalar de Gramado.


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Crédito foto: Roque Tomazeli